A Mente do Miúdo


 
Não me sinto bem a enganar, nem tão pouco a ser enganado. Dificilmente poderemos entender o porquê da pergunta de um aluno, neste modelo de educação que temos. A resposta à pergunta do pequeno texto que escrevi, tem toda e a maior pertinência.
Demorei anos a descobrir a resposta, não me foi dada quando a pedi.
Muito tempo depois entendi como o nosso cérebro é treinado, tal músculo atrofiado que foi, transformando-se em algo forte e de formas arredondadas, onde um fluido energético circula, que consegue até albergar uma consciência, uma personalidade, para alguém da sapiência inerente à arte que precisamos de ter como bons profissionais impulsionadores de uma economia periclitante.
Talvez a resposta fosse muito complicada, mas de certeza teria entendido, não era nenhum retardado na altura, e se me queriam ensinar inequações, de certeza teria entendido mais facilmente a resposta que procurava.
Realmente a dificuldade de se treinar o aspecto cognitivo do indivíduo é real. Ministrando complexas matérias, obrigamos a engrenagem a afinar, acertar, ritmar e por fim arrumar, de forma a que o saber esteja sempre lá onde o procuramos, ou pelo menos nos ajude a seguir um ritmo e método, por nós próprios, de forma a encontrar o caminho.
Mas, estas idéias fazem sentido, é preciso treinar e errar, tudo é aprendizagem, todas as experiências são válidas. E o crescimento de uma consciência segue em paralelo. Tornamo-nos Nós, com a força das batidas cardíacas da vida que nos leva, um dia após o outro.
No entanto pergunto… será o melhor caminho?
A mente do menino, rapaz, homem, não é muito difícil de entender. Todos passamos por isto, não é algo que olhemos pela primeira vez.
Infelizmente parece que, para muitos, a idéia de ter um miúdo de 13 anos a pensar, parece absurda.
Talvez nesta procura de como se deve fazer, faça falta a ferramenta mais importante…o Espelho, se possível, o Espelho do Passado.
O menino experimenta, olha para o que lhe chama a atenção, corre riscos em busca de satisfazer desejos. A vida é uma aventura. A Vida é a sua história de embalar.
Em toda a sua infância, a consciência prende-se em coisas novas, de cores vivas, de sons fortes, de gostos doces. Parece um pequeno radar que foca tudo o que grita por ele. Mas somente gritos que lhe soam a jogo de perde e ganha.
Sem querer, ele luta e corre para onde a sua atenção o envia. E acho que o segredo está aqui.
Atenção, Concentração, algo para descobrir.
È ver a infantilidade com que uma criança brinca, perfeitamente alheada de tudo o que a rodeia, onde todos os seus anseios, crenças, estão á frente de seus olhos. Nada mais conta, e o “Mundo vem Abaixo…” se algo ou alguém se interpõe entre si e seu jogo. Nessa altura a sua vida é aquilo que está a fazer, é aquilo que o adulto vê como algo sem importância.
Nessa altura assistimos aos primeiros momentos de absoluta concentração em busca de atingir objectivos.
São estes momentos que queremos ver no aluno que bebe as nossas palavras, que não nos deixa ir embora sem colocar mais uma pergunta.
São estes momentos intensos que permeiam o professor com a faísca do entendimento e proporciona uma rapidez vertiginosa da consciência no caminho do aprendizado.
Se queremos, este tipo de contacto, parece que temos de ser o jogo nas mãos do menino, rapaz, homem.
 

Deixe um comentário

Filed under Exposições

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s